Dono da 'Choquei' está sozinho em cela na sede da Polícia Federal após ser preso em operação contra supostas transações ilegais de R$ 1,6 bilhão
17/04/2026
(Foto: Reprodução) Dono da página 'Choquei' vai continuar preso
O criador da página Choquei, Raphael Sousa Oliveira, de 31 anos, está sozinho em uma cela na sede da Polícia Federal após ser preso em operação que investiga supostas transações ilegais de R$ 1,6 bilhão, segundo a instituição.
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De acordo com a PF, o influenciador recebe três refeições diárias, mas não soube informar se ele está se alimentando. Ainda segundo a instituição, o juiz responsável pelo caso aguarda a manifestação do delegado de São Paulo para decidir os próximos passos da investigação.
Segundo nota enviada ao g1 pelo advogado Pedro Paulo de Medeiros, a expectativa é de que o Judiciário analise ainda nesta sexta-feira (17) o pedido para que o proprietário da página Choquei seja colocado em liberdade, com decisão nas próximas horas (veja nota na íntegra no final da matéria).
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Raphael foi preso na quarta-feira (15), em Goiânia, durante a Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal em nove estados. Segundo a investigação, ele atua como operador de mídia de uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e estelionato digital, recebendo valores de outros investigados.
A Polícia Federal aponta ainda que o influenciador integra a estrutura investigada, que tem Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, como principal beneficiário econômico do esquema.
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Raphael Sousa Oliveira, de 31 anos, prestou depoimento na Polícia Federal, em Goiânia
Reprodução/Instagram de Raphael Sousa | Eliane Barros/g1
Valores recebidos e versão da defesa
Segundo a investigação, Raphael recebeu R$ 370 mil do funkeiro MC Ryan SP por serviços de publicidade. De acordo com o advogado Frederico Moreira, que representa o influenciador, em entrevista ao g1, os valores foram questionados pelo delegado Hugo Lisita durante o depoimento.
Do montante, R$ 270 mil foram identificados em movimentações entre 2024 e 2025 e R$ 100 mil como sendo uma transferência vinda de uma pessoa desconhecida.
“O Raphael suspeita que seja um terceiro que tenha pago algo em favor do MC Ryan”, disse o advogado.
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Segundo Frederico, o influenciador não se lembra do nome do autor da transferência, mas acredita que seja um terceiro que tenha pago esse valor pelo MC Ryan, prática que acontece no meio artístico.
“O contratante fala que tem uma pessoa que está devendo a ele ou que também está participando do projeto artístico ou musical e que essa pessoa fará um ou outro pagamento para ajudar no custeio das despesas”, afirmou Moreira.
Papel na organização investigada
No pedido de busca e apreensão da 5ª Vara Federal de Santos, obtido pelo g1, consta que sua função “consiste, em tese, na divulgação de conteúdos favoráveis ao artista e na promoção de plataformas de apostas e rifas, além de potencialmente atuar na mitigação de crises de imagem relacionadas às investigações”.
Também foram presos o influenciador Chrys Dias, que tem quase 15 milhões de seguidores, e outros produtores de conteúdo. Os suspeitos teriam movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão.
A operação
De acordo com decisão da 5ª Vara Federal de Santos, o influenciador atuava como 'operador de mídia', utilizando o alcance de sua plataforma digital para gerir a imagem do grupo e promover atividades ilícitas.
A operação apura uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro em escala bilionária por meio de apostas ilegais, rifas digitais, empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e criptoativos.
No centro do esquema, a investigação aponta Ryan Santana dos Santos (MC Ryan SP) como principal beneficiário, com apoio de operadores financeiros, contadores, intermediários, empresas de marketing, produtoras musicais e plataformas de pagamento.
Ainda segundo o documento, a investigação é um desdobramento das operações Narco Vela e Narco Bet, e surgiu após a Polícia Federal analisar dados extraídos do iCloud do contador Rodrigo de Paula Morgado. A partir desse material, os investigadores identificaram uma estrutura financeira paralela usada para captar, fragmentar, ocultar e reinserir dinheiro no mercado formal.
Carros apreendidos em operação da PF contra organização criminosa por lavagem de dinheiro e transações ilegais de mais de R$ 1,6 bilhão
Divulgação/PF
Quem é Raphael Sousa
Raphael Sousa Oliveira, preso nessa quarta-feira em um condomínio de luxo em Goiânia, possui 1,4 milhão de seguidores apenas em uma rede social. Ele costuma postar momentos de trabalho, vídeos de humor e viagens que realiza com amigos, além de encontros com outros influenciadores.
Já o perfil da 'Choquei' possui mais de 27 milhões de seguidores no Instagram. A página, que já realizou quase 74 mil postagens, é conhecida por publicar fofocas. Os posts giram em torno de celebridades e reality shows, além de memes e acontecimentos de grande repercussão, tanto no Brasil quanto no mundo.
Audiência de custódia
Rphael passou por audiência de custódia na quinta-feira (16). Em noa, o advogado Pedro Paulo de Medeiros, que esteve presente informou que influenciador exerce atividade empresarial regular no ambiente digital e que os valores recebidos estão relacionados a serviços de publicidade prestados a terceiros.
A defesa sustenta que o investigado não integra nem gerencia eventuais estruturas investigadas e que não há elementos que indiquem conhecimento sobre possíveis irregularidades nas atividades de terceiros. O advogado disse ainda confiar que a Justiça reconhecerá a ausência dos requisitos para a manutenção da prisão.
Nota da defesa
A expectativa do advogado criminalista Pedro Paulo de Medeiros é de que o Judiciário analise ainda nesta sexta-feira o pedido para que o proprietário da página Choquei seja colocado em liberdade, com decisão nas próximas horas.
Pedro Paulo de Medeiros informa que a defesa acompanha o caso com confiança, segue atenta a todos os desdobramentos e espera que a decisão judicial seja proferida com a brevidade que o caso exige.
A Justiça determinou a intimação do delegado para que preste informações, no prazo de 24 horas, sobre eventual necessidade de manutenção da custódia em razão de dúvidas relacionadas à investigação. Na sequência, foi aberto igual prazo para manifestação do Ministério Público Federal, antes do retorno dos autos para análise do juiz.